O Brasil já constrói open source. Agora é hora de criar e fortalecer os nós.
- Sobre
- Sustentabilidade como eixo central
- O Brasil nesse cenário
- Soberania e capacidade de construção
- Origem e continuidade
- Por que Maio
- O que estamos construindo
- FLOSS também é sobre viver disso
- Referências
- Diversidade e acesso
- Estrutura aberta
- Por que NOSS
O NOSS nasce de um incômodo, que acompanha um sonho.
Vivemos em um mundo sustentado por tecnologias abertas. Ainda assim, as pessoas que mantêm esse ecossistema seguem, muitas vezes, invisíveis, sobrecarregadas e pouco conectadas entre si.
No Brasil, isso é ainda mais evidente.
Tem muita gente boa construindo coisas relevantes, participando de projetos globais, criando soluções que impactam outras pessoas. Mas ainda com pouca visibilidade, pouca articulação e poucas oportunidades reais de retorno.
O NOSS existe para aproximar esses pontos. Não apenas como evento, mas como um espaço de conexão.
A discussão sobre open source ainda é, em grande parte, conduzida a partir de uma lógica de contribuição. Essa lógica é importante, mas insuficiente.
Sem sustentabilidade, projetos não se mantêm. Sem manutenção, não há continuidade. E sem continuidade, não existe ecossistema.
Falar de FLOSS no Brasil exige incorporar, de forma explícita, dimensões como renda, financiamento, distribuição de valor e condições reais de permanência. Não como exceção, mas como parte do modelo.
Esse é um ponto central, especialmente em contextos onde desigualdades estruturais impactam diretamente quem consegue entrar, permanecer e se desenvolver na área.
O Brasil já participa desse ecossistema em escala relevante. Dados públicos, como o GitHub Octoverse e relatórios de pesquisa do próprio GitHub, indicam crescimento consistente da comunidade brasileira em volume de pessoas desenvolvedoras e contribuições.
No entanto, essa participação não se traduz, na mesma proporção, em capacidade de captura de valor.
Há uma distância evidente entre contribuir e estruturar, entre participar e liderar, entre produzir tecnologia e transformar essa produção em renda, continuidade e influência.
Na prática, isso se manifesta de forma recorrente: pessoas entram no ecossistema, mas não encontram condições para permanecer nele de forma sustentável. Quando encontram, muitas vezes isso acontece fora do país.
Referências:
O problema não é capacidade técnica. É conexão, visibilidade e acesso.
A discussão sobre soberania tecnológica costuma ser reduzida à infraestrutura ou à capacidade de consumo. No entanto, ela também envolve a capacidade de manter, evoluir e sustentar tecnologias ao longo do tempo.
Um país que apenas consome tecnologia depende. Um país que apenas contribui, mas não estrutura, continua dependente.
Fortalecer o ecossistema de open source no Brasil implica criar condições para que pessoas e projetos possam se desenvolver localmente, com continuidade e reconhecimento. Isso passa, necessariamente, por organização, articulação e construção de rede.
A Cumbuca Dev já atua diretamente na criação de caminhos de entrada para tecnologia, com foco em acesso, formação e comunidade.
Na prática, isso significa trabalhar com pessoas que estão começando e acompanhar de perto os pontos de ruptura desse processo. Um deles aparece de forma consistente: entrar é possível; permanecer e crescer ainda não é garantido.
O NOSS surge como continuidade desse trabalho, ampliando o foco para um outro nível do ecossistema: articulação, visibilidade e sustentabilidade dentro do open source.
Não se trata de iniciar algo isolado, mas de organizar algo que já existe de forma dispersa.
Maio tem sido reconhecido internacionalmente como o mês de valorização de pessoas mantenedoras (Maintainer Month).
São essas pessoas que sustentam o ecossistema no dia a dia. Mesmo assim, muitas vezes trabalham com pouca visibilidade, pouco reconhecimento e poucos recursos.
No Brasil, esse cenário se soma a outros desafios:
- menos financiamento
- menor inserção internacional
- maior dependência de trabalho voluntário
Escolher maio é uma decisão intencional: queremos colocar o foco em quem mantém esses projetos.
O NOSS é o primeiro passo para a criação um ponto de encontro do ecossistema de FLOSS no Brasil.
Um espaço para:
- aproximar pessoas e comunidades
- dar visibilidade a projetos e pessoas mantenedoras
- compartilhar experiências técnicas reais
- apoiar quem está começando
- fortalecer quem já está construindo
Open source costuma ser associado a:
- portfólio
- aprendizado
- contribuição voluntária - geralmente depois de um certo nível de carreira
Mas vai muito além disso...
FLOSS também pode ser:
- fonte de renda
- oportunidade profissional
- construção de reputação
- possibilidade real de uma vida com código e propósito
Contribuir é importante.
Sustentar quem contribui é essencial.
O NOSS se inspira e dialoga com iniciativas consolidadas no ecossistema global:
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All Things Open https://allthingsopen.org/
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Open Source Initiative https://opensource.org/
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Linux Foundation https://www.linuxfoundation.org/
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Python Software Foundation https://www.python.org/psf/
Falar de open source no Brasil é falar de quem consegue entrar e permanecer.
E a gente sabe que esse acesso não é igual.
Por isso, o NOSS carrega o mesmo compromisso que a Cumbuca Dev já constrói:
- ampliar acesso
- dar visibilidade a trajetórias diversas
- reduzir barreiras reais
- construir um espaço seguro para todas as pessoas
Este projeto é aberto.
Isso significa:
- documentação pública
- construção coletiva
- possibilidade de replicação
Qualquer pessoa ou comunidade pode adaptar esse modelo e construir novas edições.
/docs → documentos estruturais
/2026 → edição atual
/brand → identidade visual
👉 Detalhes da edição atual: /2026/README.md
O evento é gratuito.
Os recursos arrecadados são utilizados para:
- execução do evento
- qualidade técnica
- fortalecimento da comunidade
- continuidade das iniciativas
- apoio à comunidades do ecossistema
Não há distribuição de lucro individual.
O nome não é apenas uma escolha estética.
“NOSS” carrega duas camadas de significado que se complementam.
A primeira é direta: Nosso Open Source Summit. Um espaço que não pertence a uma única organização, que é construído coletivamente, por diferentes pessoas, comunidades e iniciativas — que representa e pertence a todas as pessoas, e que nos une ao criar conexões — ao criar nós.
A segunda é estrutural: nós.
Não apenas como metáfora, mas como condição de existência de qualquer ecossistema. Open source não se sustenta apenas com código. Ele se sustenta com relações, continuidade e articulação entre quem constrói, quem mantém, quem aprende e quem depende dessa infraestrutura.
O problema que enfrentamos hoje não é ausência de tecnologia. É a ausência dessas conexões de forma estruturada.
O NOSS existe para organizar esses nós.
Para aproximar pessoas que hoje operam de forma isolada. Para dar visibilidade a quem mantém. Para conectar contribuição com oportunidade. Para transformar participação em permanência.
Esse movimento não começa aqui.
Ele já acontece na prática, dentro de comunidades e projetos que atuam criando caminhos de entrada e formação. O NOSS organiza o próximo passo: estruturar continuidade, articulação e sustentabilidade.
Se o open source sustenta o mundo, o NOSS parte de uma premissa simples: o ecossistema brasileiro também precisa se sustentar.
E isso só acontece quando existe rede.
Quando existe conexão.
Quando existem nós.
Criado e organizado com 💜 pela Cumbuca Dev
Leia:
https://github.com/cumbucadev/NOSS/discussions